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Mike Mignola – Um artista completo, sem sombra de dúvida

Por Jacques

Dono de um estilo próprio (algo como Will Eisner encontra Jack Kirby), o ilustrador e roteirista Mike Mignola tornou-se um dos artistas mais cults (mas no bom sentido) da atualidade, pertencendo ao segmento dos “sempre imitados, nunca igualados”.

A característica mais marcante de seus desenhos com certeza é o sombreado, que dá uma expressividade e vivacidade única às ilustrações.

Mignola é um destes profissionais que preferem lançar poucos trabalhos, mas sempre com responsabilidade e qualidade.

Na graphic novel Gotham City 1889, com roteiro de Bryan Augustyn (edição que originou o selo Túnel do Tempo (ou Elseworlds), onde os personagens são transpostos para realidades alternativas; recentemente, com a volta do Multiverso da DC, algumas delas foram incorporadas a ele), o Cruzado Encapuzado investiga crimes cometidos por Jack, O Estripador.

O uniforme usado pelo Morcego desta edição aparece em um episódio do desenho animado Batman – The Brave and The Bold (em que Bruce Wayne simplesmente não existe), talvez como uma forma de homenagem.

Na mini-série Odisseia Cósmica, com roteiro do criador de Dreadstar, Jim Starlin (onde o Lanterna Verde John Stewart aprende, da pior forma, que Poder nem sempre é poder), é interessante ver super heróis como Super Homem e Estelar retratados de forma tão singular.

Fafhrd e Gray Mouser

Em Triunfo e Tormento, graphic novel escrita por Roger Stern, o Doutor Estranho (contrariadamente) une forças ao Doutor Destino para resgatar a alma da mãe de Von Doom, Cynthia, aprisionada por Mefisto em seu reino, mostrado de forma perfeita por Mignola, cujos traços são ideais para idealizar o sulfuroso e lúgubre Inferno da Marvel.

Esta foi uma das raras ocasiões em que se pôde ver o monarca da Latvéria agir de forma altruísta, colocando sua vida e alma em risco por amor à sua mãe.

Na edição especial Crônicas de Lankhmar, em parceria com Howard Chaykin, são narradas as rpgísticas aventuras do esperto Fafhrd e do grandalhão Gatuno (Gray Mouser, no original), criados por Fritz Leiber em 1934 e originalmente publicados em pulps.

Estes simpáticos fanfarrões (que tiveram uma rápida aparição na hq Fábulas, apenas para tornarem-se escravos zumbis) ganharam sua própria revista em 1973 pela DC Comics, a Sword of Sorcery, que surgiu em resposta ao sucesso das hqs de Conan, que, na época, era publicado pela Marvel (e, recentemente, foi roteirizado por Mignola na revitalização deste feita pela Dark Horse Comics).

Acredito que tenha sido com Hellboy, o demônio mais brigão, humano e desencanado dos quadrinhos que o talento de Mignola (que o criou) como escritor tenha dado as caras, já que ele roteirizou todas as histórias iniciais dele.

Hellboy une humor, terror, fantasia, clichês cinematográficos e literatura clássica e moderna de forma bem equilibrada.

O cotidiano de Hellboy

Este parece ter sido o personagem a quem Mignola mais se dedicou, chegando inclusive a trabalhar como consultor visual e co-produtor nos filmes dirigidos por Guilermo Del Toro.

Entre outros trabalhos de Mignola podem ser citadas algumas capas para o fumetti (nome que se dá aos quadrinhos italianos) Dylan Dog, de Tiziano Sclavi (que é uma mistura de Constantine com Ed Mort), a quadrinização do filme Drácula, de Francis Ford Coppola (pela Topps Comics) e inúmeros personagens da Marvel.

Em um meio repleto de modismos e fórmulas prontas, Mike Mignola é a prova de que se pode falar mais alto do que qualquer imposição mercadológica.

Basta ter talento para isso.

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  1. 28/01/2011 às 13:38

    Ele é parente daquela cantora… Kelly Mignola? hehehe
    Brincadeira, curto muito o trabalho dele.

    • 28/01/2011 às 13:53

      Brincadeira sem graça, chefia…
      A tua batata tá assando…

  2. 28/01/2011 às 17:58

    o mignola é incrível, tem um quê de “vertiguístico” no traço dele… pena que não sou muito chegada em hellboy

    tava fuçando a tag “grant morrison” agora pra ver no que ia dar e achei ótimo o post sobre ele, lembrou de todas as obras mais incríveis (we3 e homem animal que eu coloco num altarzinho aqui em casa, o boom que ele deu nos x-men, etc, etc)
    só esqueceu de mencionar a minissérie do kid eternidade, acho =)

    • 31/01/2011 às 14:15

      Mignola sem dúvida é um artista excepcional e inimitável.
      Eu não mencionei o Kid Eternidade naquele post porque eu não li essa mini-série, assim como também não li a fase do Batman do Morrison.
      Já WE3 é adrenalina em forma de hq.
      Apareça.

  3. J Júnior
    21/02/2011 às 19:23

    Sou fã, o mais interessante das histórias de Hellboy é que muitas o personagem não é algo central, é apenas alguém perdido no meio do texto. E eu adoro esse tipo de conto.

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